The nest is empty and so are you

7/15/2015 09:14:00 PM



Sobre passar quinze dias longe do que eu chamo de casa pra ficar em outro lugar que também chamo de casa, posso dividir minhas emoções em três etapas:

Abandonar o ninho

. Confesso que minha animação pra essa viagem estava deveras baixa em relação à todas as outras vezes que vim ao Espírito Santo. Talvez fosse apenas cansaço também. Fiz minhas malas às 3 da manhã da madrugada anterior – duas malas e uma mochila pra passar apenas quinze dias. Minha mãe tinha me dito que tava frio e roupa de frio ocupa espaço.

Viagens longas funcionam da seguinte forma: nos primeiros dias a genre não se sente em casa. Na verdade, o sentimento é de total desconforto e a vontade de voltar pra casa é maior que tudo.

Aos poucos vamos tirando da mala e espalhando os objetos pessoais pelo ambiente pra tentar torná-lo um pouco mais familiar.

Ao passar dos dias, vamos nos acostumando com a nova rotina e já não mais sentimos aquela falta imensa de casa. Quanto mais se aproxima a data de volta, menor é a vontade de partir.

Quando o dia de ir embora chega, as lembranças carregam as emoções e a nostalgia preenche tudo o que a gente tem. É bom viajar, mas voltar pro conforto de casa é ainda melhor. Mesmo quando a gente sente que deveria ter estentido a estadia no lugar visitado.

Não é a primeira vez que vez que venho ao ES. Na verdade, nos últimos dois anos, essa é a quarta vez que desembarco em terras capixabas.

Sempre sou invadida pelas mesmas sensações: no início não me sinto em casa, depois me sinto e em seguida sinto que essa é a minha casa.

Dessa vez tudo foi totalmente inesperado. Dessa vez tudo me levou pra etapa dois.

Música antiga

.Assim que desci do avião acompanhada de minha amiga J., já pude sentir a diferença no ar. Aqui no ES é mais úmido e eu juro que do aeroporto mesmo dava pra ouvir o barulho do mar.

Logo vi minha mãe e juntas fomos pra parada de ônibus. Fiquei esperando a sensação de abandono de ninho me invadir, mas nada veio. Fiquei feliz em vê-la, como sempre. Mas tava mesmo feliz em estar ali. 

É aquele efeito música antiga; quando você descobre uma música e se apaixona por ela. Aí você a escuta em todos os lugares e acaba sempre se lembrando de algum lugar específico quando a escuta. Depois de certo tempo chegam novas músicas e aquela lá fica perdida na sua pasta de músicas, sendo enterrada embaixo de muitas outras músicas novas. 

De repente o modo aleatório te joga aquela música lá e você é teletransportado pra aquele lugar específico e aquela letra te completa perfeitamente. O ar fica mais limpo, sua vida parece ser cheia de boas memórias. Tudo isso por conta de uma só música que já se tornou velha.

As duas semanas que fiquei no Espirito Santo foram de apenas alegria. Me senti em casa do primeiro momento ao último, mesmo os últimos sendo os mais difíceis.

Anulação existencial

.Nos últimos dias de viagem procurei não me entristecer. Ficar longe do mar, longe da minha mãe e da atmosfera daqui é sempre muito difícil. Tento não me afundar nessa depressão pós-viagem, mas nunca consigo obter 100% de sucesso.

No ápice da minha tentativa, o único motivo feliz que encontrei pra voltar pra casa foi o seguinte: minhas encomendas já estariam lá. Ainda assim o tempo todo havia um eco na minha cabeça imaginando como seria se eu buscasse as encomendas e voltasse pra cá.

Mas não tem jeito, retornar ao ninho é essencial. Infelizmente.

Cogitei pedir carona a algum amigo na volta pra casa, pagar um lanche pra ficarmos juntos e a sensação de retorno ao lar voltar mais rapidamente a mim.

Mas no fim das contas optei por chamar um taxi. Ir embora com um desconhecido, ver a paisagem da minha terra natal passando pela janela. Chegar em casa, deitar na cama e sentir falta de tudo que os últimos quinze dias me trouxeram. E ser completamente preenchida pela solidão inevitável que me acompanha mesmo quando estou acompanhada.

Sentir-se em casa em dois lugares diferentes e sentir-se isolada nos mesmos: a contradição do meu ser.

O vôo inteiro foi triste. Fui uma das últimas passageiras a descer do avião, como se estar ali fosse adiar o inevitável. Assim que subi nas esteiras do salão de desembarque, recebi uma mensagem. Uma amiga estava ali perto e perguntou quando eu chegava. Por coincidencia, naquele mesmo instante. Saí do aeroporto e lá estava ela: um pedaço de familiaridade me esperando.

Fiquei feliz, claro que fiquei feliz. Aqui dentro, lá no fundinho, a solidão tá batendo. Fico constantemente me lembrando dos dias na praia, da água fria, das risadas... Mas daqui até os próximos seis meses eu me acostumarei com BSB de novo.

Tô apenas tentando sobreviver esse pedaço de tempo até a próxima partida com destino ao mar.

Ouça: The Zephyr Song - Red Hot Chili Peppers

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